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COOPERATIVISMO POPULAR
Carta de Princípios
(FCP - Forum de Desenvolvimento do Cooperativismo Popular do Rio de Janeiro)
Alguns valores servem de base para as cooperativas de todo o mundo, são eles: autonomia, autogestão, responsabilidade, democracia, igualdade, justiça social e solidariedade. Seguindo a tradição, o cooperativismo apoia-se na ética, honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação com os demais integrantes.Infelizmente, ainda hoje, parte do cooperativismo vem sendo praticado por grupos econômicos cujo o interesse principal é escapar de suas responsabilidades fiscais e trabalhistas e cuja a conseqüência imediata é o agravamento da crise do desemprego e precarização das relações de trabalho. Essas cooperativas são utilizadas mais como instrumento de terceirização do trabalho, do que como instrumento de organização sócío-econômica, o que dificulta a implementação de políticas públicas para o setor.
Assim, o cooperativismo popular, surge como alternativa baseada em valores comprometidos com outra cultura econômica e com a formação integral da cidadã e do cidadão, para que busque sua inserção no mercado de trabalho e/ou outras formas emancipadas de relações econômicas.
Dessa forma, não admitirmos a reprodução de práticas de administração que não estejam coadunadas com os princípios de autogestão. Compreendemos autogestão como a capacidade de tomar decisões e manejar o próprio desenvolvimento, como pessoa, iniciativa e sociedade.
Devemos sim, assumir uma conduta crítica ao capitalismo, que promove uma produção maior de bens pela simples concentração de renda, ao contrário de uma globalização possível e desejável, findada na ética, na solidariedade e na participação ativa das cidadãs e cidadãos no controle e gestão dos meios de produção da sociedade.
São alguns princípios do Cooperativismo Popular:
1. Lutar pela constituição de um modelo de sociedade justa, igualitária e solidária, acreditando na potencialidade de sermos sujeitos do nosso próprio desenvolvi-mento individual e coletivo.
2. Lutar por uma globalização fundada na ética da solidariedade e na participação ativa dos cidadãos no controle e gestão dos meios de produção da sociedade, promovendo a autosustentação e a comunhão com a natureza.
3. Resgatar as idéias da participação, do entrosamento, do trabalho conjunto, onde a fraternidade/irmandade seja essencial, afirmando as vantagens das relações huma-nas;
4. Promover a geração de trabalho e a democratização da propriedade, renda e conhecimento, voltadas para a maioria da população;
5. Formular, incentivar e apoiar políticas sociais integradas, que considerem formas associativas de trabalho baseadas na cooperação, como instrumentos funda-mentais de desenvolvimento local e regional;
6. Diagnosticar, planejar, acompanhar e administrar o desenvolvimento de cadeias produtivas e de serviços de fomento, viabilizando propostas de socioeconomia autogestionária e solidária;
7. Contribuir com a formação integral do cidadão que ultrapasse a questão da sobrevivência individual, estimulando o ensino do cooperativismo, promovendo a educação e a formação dos cidadãos na prática cooperativista e organização popular;
8. Afirmar a autogestão dos que assumem o cooperativismo como instrumento de justiça social e economia solidária, criando condições de garantia de crescimento conforme a capacidade de gestão coletiva;
9. Valorizar modelos alternativos de organização social, que sirvam de base para a construção de critérios objetivos de avaliação da proposta cooperativista;
10. Estimular a troca de experiências, promovendo a democratização de informações entre as organizações populares, gerando condições de viabilidade para uma proposta de sócio-economia solidária.
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