Zero Hora. Porto Alegre, Domingo, 20 de agosto de 2000, p. 26

Cooperativismo

Compras coletivas favorecem 350 famílias

Sistema reúne associados na Região Metropolitana e oferece produtos da cesta básica com descontos de até 20%

          DEISE DE OLIVEIRA

Comprar alimentos da cesta básica com até 20% de economia. Este é o principal atrativo que vem sendo utilizado pela Cooperativa Compras Coletivas para ampliar o número de associados na Região Metropolitana.

Com dois meses de atuação no mercado, a cooperativa oferece uma lista com 46 itens, entre produtos de limpeza e alimentos ecológicos, coloniais e industrializados, para 350 famílias que aderiram à economia solidária.

Um agente da cooperativa apresenta a lista de produtos para o representante da comunidade divulgar a oferta. Cada família elabora seu pedido, que é repassado à Compras Coletivas pelo líder comunitário. No dia e hora marcados, as mercadorias são entregues em local indicado pela comunidade, e os consumidores retiram as encomendas. No primeiro mês, a cooperativa vendeu 14 mil quilos de alimentos, no total de R$ 12 mil.

Como o pagamento é à vista, o grupo procura marcar a entrega na melhor data para todos explica o coordenador administrativo da Compras Coletivas, José Paulo da Silva e Silva

Diferença nos preços dos produtos pode chegar a 71,42%

O programa está inserido na Central de Cooperativas e Associações Autogestionárias de Economia Solidária do Estado e busca estabelecer uma cultura de produção, consumo e trabalho coletivo. Muitos dos artigos oferecidos são fornecidos por outras iniciativas coletivas.

Urna das ofertas é a geléia de maçã, morango ou uva produzida pela Cooperativa Iterra, de Viamão. Enquanto no mercado um similar não sai por menos de R$ 3, o pote de 295 gramas da Iterra custa R$ 1,75 diferença de 7 1,42%. O achocolatado, por exemplo, é vendido por R$ 2,07 e custa R$ 2,18 em. supermercado. Por R$ 0,89, a cooperativa oferece pacote de 500 gramas de massa Diana, vendido a R$ 1,99 no comercio.

Levo mais itens com R$ 200 do que com os R$ 300 que gastava no supermercado diz a funcionária pública Sandra Sueli da Costa, 45 anos.

Morador da Vila Maria da Conceição, em Porto Alegre, e um dos coordenadores da cooperativa, Laci Paulo Ramos diz que 15 famílias na sua região estão associadas ao programa.

MÁRIO BRASIL/ZH      Compras Coletivas - Economia de até R$ 100,00  

Benefício: Sandra Costa economiza até R$ 100 com suas compras na cooperativa.

AS OFERTAS

Os preços da cooperativa e no mercado convencional:

PRODUTO COOPERATIVA      MERCADO   CONVENCIONAL* VARIAÇÃO
Alvejante
(2 litros)
R$ 0,91 R$ 1,49 63,74%
Arroz branco
(5 k g)
R$ 3,55 R$ 4,85 36,62%
Arroz parabolizado
(5kg)
R$3,85 R$4,39 14,02%
Erva-mate (1 kg) R$ 1,50 R$ 2,09 39,33%
Feijão branco
(500 gramas)
R$ 1,57 RS 2,59 64,97%
Papel higiênico
(quatro rolos)
R$ 1,35 R$ 1,55 14,81%
Sabão de glicerina
(500 g)
R$ 0,61 R$ 0,78 27,87%
Achocolatado
(500 g)
R$ 2,07 R$ 2,18 5,31%
Açúcar refinado
(1 kg)
R$ 0,76 R$ 0,85 11,84%
Leite condensado
(395 g)
R$ 1,22 R$ 1,34 9,84%

Para a comparação de produtos não-industrializados e industrializados, foram procurados artigos de marcas tradicionais similares aos das cooperativas.

* Médias dos valores de marcado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UFRGS testa a qualidade de produtos

Criado em 1994 por lei municipal, o projeto de compras coletivas ficou sob a administração da prefeitura de Porto Alegre até o final do ano passado.

A secretária substituta da Produção, Indústria e Comércio, Carmen Sylvia Ribeiro, diz que se chegou a entregar mil ranchos na primeira fase da experiência.

O projeto já previa a transferência da gestão à comunidade após a estruturação do sistema.

A licitação engessava o processo e limitava a oferta de produtos diz o coordenador administrativo da Compras Coletivas, José Paulo da Silva e Silva, que identifica o ingresso de 35% de produtos cooperativados como fator positivo da nova gerência. Antes, 100% eram industrializados.

Em janeiro deste ano, ocorreu a transição na Câmara de Vereadores da Capital. Por quatro meses, o conceito de economia solidária e o estatuto da Compras Coletivas foram discutidos por associados e representantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que firmaram convênio de assessoria jurídica, econômica, educacional e de pesquisa. O Instituto de Química da UFRGS monitora a qualidade de produtos como detergente, sabão de glicerina e medicinal e alvejante, produzidos pela Cootrasol de Sapucaia do Sul.

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