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De: Marcos Arruda
Genebra, 12/1/01


Mais novidades sobre o Anti-Davos.

Além das manifestações programadas para as ruas da cidade de Davos durante
o Fórum Econômico Mundial (FEM), que vai reunir centenas de empresários das
maiores empresas transnacionais do mundo, mais políticos dos países dos
hemisfério Norte e Sul, mais os presidentes e diretores gerais das
Instituições Multilaterais - portanto, a elite do capital mundial - teremos
também em Davos, bem defronte do local do Fórum, um debate público
organizado pelo projeto "O Olho Público sobre Davos" (The Public Eye on
Davos") - "olho" aqui tem o sentido de "vigilância", "olhar atento". Este
projeto é animado por entidades sociais suíças, entre elas a Declaração de
Berna.

Uma entrevista de Lara Cataldi, coordenadora do projeto na Suíça de fala
francesa, no "Le Courrier" de Genebra, 12/1/01, explica que o objetivo do
debate anti-Davos será denunciar o "rolo compressor" neoliberal que o FEM
representa. Ela lembra que o FEM é uma instituição privada com base em
Genebra, que desde sua fundação, em 1971, tornou-se um motor poderoso da
globalização neoliberal. O FEM fundou diversos clubes privados para
reforçar suas redes (p.e., "Líderes globais de amanhã", "Líderes globais da
comunicação", "Governadores da indústria", e outros).

A conferência anti-Davos vai ser realizada na mesma data que o FEM - 25 a
30/1. Nela serão discutidos os quatro principais problemas ligados
diretamente à agenda do FEM, mas a partir de um ponto-de-vista radicalmente
diferente.

1) O impacto do FEM sobre as políticas internacionais e de desenvolvimento.
Esta vai ser uma avaliação crítica, apontando para o poder extra-oficial e
não representativo do Fórum de Davos, que consegue influir na moldagem das
políticas neoliberais de governos e agências multilaterais. A massa da
população mundial fica à margem dos debates de Davos, pois a reunião é
fechada e excludente.

2) Regulações para forçar as empresas transnacionais a respeitarem o
desenvolvimento das comunidades locais e as estratégias nacionais de
desenvolvimento.

3) O ajuste estrutural como instrumento pelo qual as instituições
financeiras multilaterais manipulam as decisões macroeconômicas dos países
do Sul, forçando-os à liberalização em favor do grande capital mundial e
bloqueando o direito daqueles países a um projeto próprio de desenvolvimento.

4) A urgência do cancelamento da dívida externa para os países mais pobres
e de uma reparação em favor das dívidas do apartheid.

A conferência anti-Davos, ao contrário do FEM, é aberta ao público. Estarão
presentes cerca de 20 representantes dos países do Sul. As entidades
organizadoras da conferência farão um esforço para manter estreito contato
com o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que estará sendo realizado na
mesma data. Lara enfatiza que o FSM "busca visualizar uma outra
globalização". Ao contrário do evento anti-Davos de 2000, este ano o
projeto recusa-se a qualquer diálogo com o FEM.

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Marcos Arruda
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