CARTA DOS BAIRROS DE FORTALEZA QUE INTEGRAM A REDE DE SOCIOECONOMIA SOLIDÁRIA
Nós cidadãos, consumidores, produtores e comerciantes das comunidades do
Lagamar, Jardim União, Favela do Dendê, Conjunto Palmeira, Serrinha,
Pici, Autran Nunes e Granja Portugal, totalizando 300 participantes,
protagonistas de um momento novo na história da Economia, reunidos no
Conjunto Palmeira neste dia 16 de dezembro de 2000, no encerramento do
Seminário ABC da Socioeconomia Solidária, após 04 dias de vivências e
aprofundamentos, firmamos nossa certeza na construção de um novo modo
de vida e convivência a partir de um olhar e fazer diferente a economia,
centrada nos valores que denominamos de Socioeconomia Solidária. Se nos
firmamos em um novo valor, admitimos portanto, que o atual modelo
econômico mundial, capitalista, em sua fase neo liberal, concentrador e
excludente, anula as condições primordiais das comunidades humanas de
desenvolverem-se com equilíbrio, de forma sustentáveis e sobretudo no
respeito aos valores, a ética e a dignidade na relação de seres humanos
entre si e com o meio ambiente.
Estamos construindo a partir das comunidades, em sintonia com o Fórum
Cearense de Socioeconomia Solidária e conectados com a Rede Brasileira
de Cultura e Socioeconomia Solidária, as nossas vontades coletivas,
caracterizadas como propostas e encaminhamentos para interagirmos com o
poder público na formulação de novas políticas públicas e com as
demais organizações sociais.
Estamos conscientes de que esta iniciativa não é um fim em si, mas um
meio para promovermos a valorização e o advento de uma nova lógica
Socioeconomica que resgata os valores inerentes de nossa condição
humana: a socialização do ter, do saber e do conviver solidários.
A Socioeconomia torna-se instrumento e meio de inclusão social, de
capacitação e fortalecimento da cidadania, de integração das localidades
e suas populações. . Ao invés da competição e do individualismo, que são
as bases desta velha economia, propomos: a amorização, o coletivismo e
a auto-gestão compartilhada. No limiar de um novo tempo, de um novo
século e milênio, ousamos propor uma nova ordem econômica,
auto-gestionária, onde o produtor não é só um produtor, o consumidor não
é só um consumidor e o comerciante não é só um comerciante, todos e cada
um como gestores e construtores de um rede solidária, sustentável e
integrada.
Neste sentido resgatamos os valores simbólicos e concretos do que
podemos entender a economia: a economia forjada na base, gerida pelos
cidadãos, fortalecendo a organização e desenvolvendo a cultura do
aprender fazendo, do fazer coletivo, do protagonismo do ambiente local e
do intercâmbio Socioeconômico e cultural solidário entre as comunidades.
Com este espírito, vamos gerar riqueza social, qualidade de vida e
desenvolvimento humano.
Negamos o sistema econômico que promove as guerras, as violências e a
degradação do nosso ecossistema.
O futuro é agora! O presente já é quase ontem! Juntos vamos construir
uma nova história! Nós somos possíveis!
PARTICIPANTES DO SEMINÁRIO